Back jornaldebrasilia.com.br Empresa De Identidade Digital Acusa Serasa De Usar Indevidamente Milhoes De Dados Biometricos
O caso é alvo de ações nas esferas cível e criminal e tramita sob segredo de Justiça
Redação Jornal de Brasília
CHRISTIAN POLICENO FOLHAPRESS A empresa de identidade digital e biometria facial Unico acusa a Serasa Experian de utilizar, de forma indevida, sua tecnologia. De acordo com pessoas ouvidas pela reportagem, isso teria permitido que a empresa fizesse milhões de consultas relacionadas a dados biométricos de brasileiros. O caso é alvo de ações nas esferas cível e criminal e tramita sob segredo de Justiça. Conforme relatos obtidos pela reportagem, as acusações resultaram no cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra a Serasa por peritos criminais em São Paulo na quarta-feira (11). A informação foi antecipada pelo jornal Valor Econômico. Em nota, a Serasa Experian negou a acusação. “O processo tramita em segredo de Justiça e, por isso, [a empresa] ainda não teve acesso a ele para saber exatamente do que se trata”, afirmou. “A empresa reforça que atua com estrita observância à legislação aplicável e que se manifestará oportunamente no processo, momento em que esclarecerá tudo o que for necessário”. A Serasa Experian é uma empresa que automatiza análise de crédito, prevenção a fraudes e cobrança, permitindo que empresas avaliem o risco de clientes através do “score” (pontuação) e renegociem dívidas. Já a Unico usa biometria facial e IA (inteligência artificial) para validar identidades em tempo real, protegendo cadastros e transações em bancos, ecommerces e apps contra golpes de roubo de dados e deepfakes. Segundo pessoas com conhecimento da acusação, a Unico alega que os dados acessados pela Serasa são de reconhecimento facial e biométrico de milhões de clientes de bancos brasileiros que são clientes da empresa. Ou seja, não se tratam de dados bancários desses clientes, mas de informações biométricas e faciais. A prática teria como objetivo contribuir para o aprimoramento dos sistemas de identificação oferecidos pela Serasa e pela ClearSale -empresa de inteligência de dados incorporada e adquirida pela Serasa em 2025-, e aumentar a base de identidades válidas das empresas. A Serasa e a ClearSale teriam acessado serviços da Unico por meio da Skill Tecnologia, firma que possuía autorização para utilizar a plataforma exclusivamente em operações do Banco do Brasil. Em nota, o BB diz que “acompanha o caso, que envolve outras instituições, e destaca que sua operação e os dados de seus clientes seguem em normalidade e segurança”. Procurada por WhatsApp e email desde quinta-feira (11), a Unico não se manifestou. A Skill Tecnologia foi procurada por email às 18h38 do mesmo dia, mas não respondeu ao contato da reportagem. De acordo com pessoas a par do assunto, a Unico identificou um crescimento incomum no volume de consultas atribuídas ao banco. Ao questionar o Banco do Brasil, teria sido informada de que não havia aumento equivalente em suas operações. A partir daí, iniciou uma investigação própria. A investigação apontou que consultas relacionadas a outros clientes estariam sendo processadas por um canal destinado exclusivamente ao banco público. A suspeita da companhia é que esse mecanismo tenha permitido o uso não autorizado da tecnologia e de dados gerados nas validações biométricas. Um laudo pericial contratado pela acusação ainda teria identificado ao menos 1,4 milhão de transações consideradas irregulares. A estimativa da empresa é de que o potencial de consultas envolvidas possa alcançar dados de até 22 milhões de brasileiros. Na esfera judicial, a Unico acusa a Serasa Experian de concorrência desleal, uso indevido de informações confidenciais e obtenção irregular de vantagem tecnológica.
The full story
This article is one source in a clustered incident — the cluster page carries the summary, timeline and every other outlet covering it.
